TDAH
TDAH e redes sociais: o que os vídeos não contam sobre o diagnóstico
É cada vez mais comum chegar a uma consulta depois de assistir a uma série de vídeos curtos sobre TDAH. Isso não é um problema em si — o interesse por saúde mental é positivo. O problema é quando o vídeo substitui a avaliação.
Por que o tema virou popular
Conteúdos sobre TDAH têm grande alcance nas redes porque descrevem experiências comuns — esquecimento, dificuldade de concentração, procrastinação — de forma direta e identificável. Muita gente se reconhece em parte do que é descrito, o que é esperado: esses sintomas também aparecem em outros quadros e, em menor grau, na vida de pessoas sem nenhum transtorno.
O que um vídeo curto não avalia
Um vídeo de poucos minutos não tem como considerar o histórico de vida da pessoa, a presença dos sintomas desde a infância, o impacto real no trabalho e nas relações, nem outras causas possíveis para os mesmos sinais — como ansiedade, distúrbios do sono ou episódios depressivos, que também afetam concentração e memória.
Sinais que de fato orientam uma avaliação
Dificuldade persistente de concentração, desorganização e impulsividade que já apareciam na infância ou adolescência, e que continuam interferindo na vida adulta de forma significativa, são sinais que justificam buscar uma avaliação — não uma confirmação por conta própria, mas um motivo razoável para conversar com um profissional.
O risco do autodiagnóstico
Assumir um diagnóstico sem avaliação pode levar a duas situações igualmente problemáticas: tratar como TDAH algo que é, na verdade, outro quadro (perdendo tempo com uma abordagem que não vai ajudar), ou deixar de investigar a fundo um sofrimento real porque "já tem explicação". Em nenhum dos dois casos a pessoa sai ganhando.
Como é uma avaliação real
A avaliação para TDAH combina entrevista clínica detalhada, levantamento do histórico desde a infância, e, quando necessário, instrumentos complementares. O resultado não é um rótulo fechado, mas um entendimento claro do que está acontecendo — e de quais caminhos de tratamento fazem sentido para aquela pessoa.
Dr. Celso Lima é médico psiquiatra e psicoterapeuta, CRM-SP 230460 · RQE 138416. Atende adultos por telemedicina, em todo o Brasil.